Advaita: o Caminho sem Caminho

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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A CRENÇA DE QUE ESTOU SEPARADO DE DEUS

Só há uma questão a ser enfrentada antes de qualquer outra: a crença de que estou separado de Deus, da Fonte.
Esta crença é um simples pensamento deturpado sobre si mesmo, nada mais do que isso. Todos os aparentes erros decorrem desta crença de que estou separado da Fonte Original.

E qual a razão de se afirmar de que a separação não ocorreu e é somente uma crença?

A consciência não-dual é óbvia, natural, espontânea. Todos os livros sagrados falam desta unidade e pode-se sintetizá-la nas escrituras cristãs nas seguintes idéias: O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO SEPARA ou EU E O PAI SOMOS UM.

Esta crença da falsa separação (véu de maya entre os hindus) faz com que a consciência adormeça profundamente e de que o assim chamado ego apareça como um impostor —, em uma vã tentativa de querer tomar o lugar de Deus.

Com o surgimento deste falso eu surge a CULPA (pois se imagina que tomou o lugar de Deus), e consequentemente o MEDO de ser punido, que por sua vez faz aparecer todas as defesas como se estivéssemos sendo atacados, cujas defesas muitos dão o nome de defeitos psicológicos (sete pecados capitais), que por sua vez geram mais CULPA, mais MEDO, e assim por diante. Aqui começa samsara - a roda de nascimentos e de ver erro no outro.

É possível sair desta roda? Se a resposta é sim, como?

É na auto-observação de si mesmo por meio da indagação quem sou eu?, que acordamos deste sonho e nos lembramos da Filiação Divinal. Alguns sábios propõem Quem sou eu? (Sujeito), O que estou fazendo (Objeto?) Onde estou? (Lugar).
Estas são perguntas que não precisam ser respondidas, e tão pouco esquecidas. A pergunta, ou as perguntas, é para nos lembrarmos de quem somos, o que estamos fazendo, onde estamos, sem que precisemos respondê-las, pois ao se indagar, se auto inquirir, imediatamente, por si só, é lançada a Luz da Consciência sobre o falso eu, que desaparece como sombras sob esta LUZ.
Isto é uma tarefa muito simples e não exige nenhum grande esforço intelectual, e está acessível a todos.

Ao se ter a consciência da sua Origem brota o reconhecimento da própria LUZ, e como o exterior é o reflexo do interior (axioma bem conhecido e muito propagado nos meios espirituais), se reconhece no teu irmão a IGUALDADE da sua Filiação, e, assim, SOMOS TODOS UM. Eis aqui a genuína igualdade, isto é, a essência do amai-vos uns aos outros.

Só a Consciência é capaz de reconhecer a Si Mesma. E ela é UNA.

A parábola do filho pródigo está a lembrar de que o Filho parece ter se esquecido da sua Casa Original. Voltar para casa não é outra coisa senão acordar deste sonho. Acordar ou despertar significa que se deu conta (tomou consciência) de que sair de casa era só uma simples crença na separação da fonte, não mais que uma mera opinião deformada sobre si mesmo.

Adão é o filho que aparentemente adormeceu; mas Jesus é o mesmo filho que se lembrou da sua Fonte, reconheceu a sua Origem, e viu que nunca tinha saído da casa paternal, senão em sonho.

Na nossa percepção invertida (visão deturpada pelo falso eu) acreditamos que somos pecadores, defeituosos, incompletos, inadequados, e isto equivale a NEGAR a Deus, pois Ele deu um valor ao Filho que ninguém pode negar (quem poderia negar se Deus afirmou?).

E este valor de SER O QUE O CRIADOR É não necessita ser conquistado, pois já realizado pelo próprio Criador, pois no pensar/sentir que é um objetivo a ser alcançado estamos implicitamente afirmando que a obra de Deus é falha, e que depende de nós (do presunçoso ego) para ser completada.
É isto possível?

Há lógica em se afirmar que Deus (realidade) depende do ego (ilusão) para ver sua obra completa?

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Um Curso em Milagres - Capítulo 1

I. Princípios dos Milagres
 (os dez primeiros princípios)

1. Não há ordem de dificuldades em milagres. Um não é mais «difícil» nem «maior» do que o outro. Todos são o mesmo. Todas as expressões de amor são máximas.

2. Milagres em si não importam. A única coisa que importa é a sua Fonte, que está muito além de qualquer avaliação.

3. Milagres ocorrem naturalmente como expressões de amor. O amor que os inspira é o milagre real. Nesse sentido, tudo o que vem do amor é um milagre.

4. Todos os milagres significam vida, e Deus é o Doador da vida. A Sua Voz vai dirigir-te de forma muito específica. Tudo o que precisas de saber ser-te-á dito.

5. Milagres são hábitos e devem ser involuntários. Não devem estar sob controlo consciente. Milagres conscientemente selecionados podem ser guiados de forma errada.

6. Milagres são naturais. Quando não ocorrem, algo errado aconteceu.

7. Milagres são um direito de todos; antes, porém, a purificação é necessária.

8. Milagres são curativos porque suprem uma falta; são apresentados por aqueles que, temporariamente, têm mais para aqueles que, temporariamente, têm menos.

9. Milagres são uma espécie de troca. Como todas as expressões de amor, que são sempre miraculosas no sentido verdadeiro, a troca desmente as leis físicas. Trazem mais amor tanto para o doador quanto para quem recebe.

10. O uso dos milagres como espetáculo para induzir à crença é uma compreensão errada do seu propósito.