Blog destinado a publicar textos e citações do Vedanta, Advaita, Um Curso em Milagres (UCEM), Yogananda, Nisargadatta, Ramana Marhishi, Papaji, Mooji, Rupert Spira, Adams e outros.
quarta-feira, 1 de junho de 2016
domingo, 20 de dezembro de 2015
RODA SAMSARA - CICLO DE NASCIMENTO E MORTE - HISTÓRIA ZEN
O QUE É SAMSARA - HISTÓRIA ZEN
Perguntas do Rei
Milinda
Durante uma conversa,
o rei Milinda perguntou ao Bodhisattva Nagasena:
- Que é o Samsara?
Nagasena respondeu:
- Ó grande rei, aqui
nascemos e morremos, lá nascemos e morremos, depois nascemos de novo e de novo
morremos, nascemos, morremos... Ó grande rei, isso é Samsara.
Disse o rei:
- Não compreendo; por
favor, explicai-me com mais clareza.
Nagasena replicou:
- É como o caroço de
manga que plantamos para comer-lhe o fruto. Quando a grande árvore cresce e dá
frutos, as pessoas os comem para, em seguida, plantar os caroços. E dos caroços
nasce uma grande mangueira, que dá frutos. Desse modo, a mangueira não tem fim.
E assim, grande rei, que nascemos aqui, morremos ali, nascemos, morremos,
nascemos, morremos. Grande rei, isso é Samsara.
Em outro Sutra, o rei
Milinda pergunta ainda:
- Que é o que renasce
no mundo seguinte (Depois da morte.)
Responde Nagasena:
- Depois da morte
nascem o nome, a mente e o corpo.
O rei pergunta:
- É o mesmo nome, o
mesma mente e o mesmo corpo que nascem depois da morte?
-
Não é o mesmo nome, o mesma mente e o mesmo corpo que nascem depois da morte.
Esse nome, essa mente e esse corpo criam a ação. Pela ação, ou Karma, nascem
outro nome, outra mente e outro corpo.
HISTÓRIAS ZEN
CONSCIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA
CONSCIÊNCIA DA CONSCIÊNCIA
Q: Você diz que tudo é o Ser, mesmo. Se isto é assim,
por que não consigo ver claramente o Ser? Por que está ele escondido de mim?
Annamalai Swami: Porque você está olhando na direção errada.
Você
tem a ideia de que o Ser é algo que você vê ou experiência. Isto não é assim. O
Ser é a consciência na qual a visão e a experiência ocorrem.
Se as pessoas estivessem conscientes da consciência, em
vez de nas formas que aparecem nela, elas iriam perceber que todas as formas
são apenas aparências que se manifestam dentro da única consciência
indivisível.
Essa consciência é o Ser que você está procurando.
Você
pode ser essa consciência, mas você nunca poderá vê-la, porque ela não é algo
que esteja separado de você.
Annamalai Swami, discípulo de Ramana Maharshi
sexta-feira, 6 de novembro de 2015
A PURA CONSCIÊNCIA - DAYANANDA SARASVATI
A PURA CONSCIÊNCIA - DAYANANDA SARASVATI
"Acordamos pela
manhã. O mundo está aí fora, como que nos esperando. Muitas coisas nos
acontecem, algumas gostamos, outras nem tanto. Desde o ponto de vista da
consciência relativa, assim é que vemos a vida.
Esta é a vida e sua aparência
habitual.
Desde o ponto de vista da
pura consciência, o corpo é o mundo (e através dele) surgem em você cada
manhã. Essa é a Realidade e não o contrário.
Tudo acontece neste espaço
aberto que somos. Tudo absolutamente tudo, depende sua 'realidade' a esta
Realidade que você é.
As imagens de um espelho não podem existir sem o
espelho...
A Realidade que somos, que
nunca podemos negar, atua e vive em nós, através de nós, e como nós. Não há
mais nada. Isto é tudo.
Agora, partindo deste
ponto de referência limitado, este ego, ou pessoa, ou entidade (que
acreditamos ser independente da Realidade), tudo parece ser caótico, incerto,
limitado. Mas se olharmos com a atenção, este mesmo ponto de vista, este ego,
não é por acaso uma aparência a mais na Totalidade, no Real? Um conjunto de
pautas, de ritmos, nada distante do turbilhão de um riacho ou do vôo de uma
abelha.
A Pura Consciência não é
algo fixo, algo que começa aqui e termina ali. Este saber que somos, esta
sensação de presença é como uma porta aberta. Se olharmos para dentro, mais e mais, acabamos em nós mesmos.
Se olharmos para fora,
mais e mais, saímos do portal e mais além... o ilimitado, o insondável...
A Pura Consciência, onde
'fora' e 'dentro' são o mesmo espaço. Um só espaço.
Os limites são convenções,
que emergem obviamente, desse único espaço.
Assim está tecida a
realidade da vida. Mas este espaço de onde tudo surge é a plenitude. Já somos
este espaço, mesmo que a nível pessoal, nada nos pertença.
O que surge a cada
instante é o que somos.
Se buscamos e buscamos a
plenitude e a paz, nos afastamos. Se esquecemos desta plenitude e desta paz, e
nos entregamos completamente ao que surge, seja o que for, nos encontramos.
E ao encontrarmos,
encontramos a paz e a plenitude."
Swami Dayananda Saraswati, em "Eu Sou este Ser, cuja natureza é consciência ilimitada"
domingo, 30 de agosto de 2015
A VIDA É UM SONHO - Dilgo Khyentse Rinpoche
"As
diversas atividades da vida comum seguem uma depois da outra como ondas
no mar.
Os ricos nunca acham que têm dinheiro suficiente.
Os poderosos
nunca acham que têm poder suficiente.
Pense nisso: a melhor maneira de satisfazer todos os seus desejos e
completar todos os seus projetos é abandoná-los todos.
Um ser realizado vê as preocupações das pessoas comuns como eventos de um sonho, e observa-as como um velho homem observando crianças a brincar. Na noite passada sonhou, talvez, que era um grande rei, mas quando acordou, o que sobrou? O que vivência acordado dificilmente tem mais realidade que isso.
Em vez de perseguir esses sonhos de névoa, deixe a sua mente descansar em serena contemplação, livre da agitação mental e da distração, até que a realização da vacuidade se torne parte integral da sua experiência."
Dilgo Khyentse Rinpoche
em “The Hundred Verses of Advice“.
quarta-feira, 19 de agosto de 2015
A CRENÇA DE QUE ESTOU SEPARADO DE DEUS
Só há uma questão a ser
enfrentada antes de qualquer outra: a crença de que estou separado de Deus, da
Fonte.
Esta crença é um simples
pensamento deturpado sobre si mesmo, nada mais do que isso. Todos os aparentes
erros decorrem desta crença de que estou separado da Fonte Original.
E qual a razão de se
afirmar de que a separação não ocorreu e é somente uma crença?
A consciência não-dual é óbvia, natural, espontânea. Todos os livros sagrados falam desta unidade e pode-se sintetizá-la nas escrituras cristãs nas seguintes idéias: O QUE DEUS UNIU O HOMEM NÃO
SEPARA ou EU E O PAI SOMOS UM.
Esta crença da falsa
separação (véu de maya entre os hindus) faz com que a consciência adormeça profundamente e de
que o assim chamado ego apareça como um impostor —, em uma vã tentativa de
querer tomar o lugar de Deus.
Com o surgimento deste falso eu surge a CULPA (pois se imagina que tomou o lugar de Deus), e
consequentemente o MEDO de ser punido, que por sua vez faz aparecer todas as defesas
como se estivéssemos sendo atacados, cujas defesas muitos dão o nome de
defeitos psicológicos (sete pecados capitais), que por sua vez geram mais
CULPA, mais MEDO, e assim por diante. Aqui começa samsara - a roda de nascimentos e de ver erro no outro.
É possível sair desta
roda? Se a resposta é sim, como?
É na auto-observação de si
mesmo por meio da indagação quem sou eu?, que acordamos deste sonho e nos
lembramos da Filiação Divinal. Alguns sábios propõem Quem sou eu? (Sujeito), O
que estou fazendo (Objeto?) Onde estou? (Lugar).
Estas são perguntas que
não precisam ser respondidas, e tão pouco esquecidas. A pergunta, ou as perguntas, é
para nos lembrarmos de quem somos, o que estamos fazendo, onde estamos, sem que
precisemos respondê-las, pois ao se indagar, se auto inquirir, imediatamente,
por si só, é lançada a Luz da Consciência sobre o falso eu, que desaparece como
sombras sob esta LUZ.
Isto é uma tarefa muito
simples e não exige nenhum grande esforço intelectual, e está acessível a
todos.
Ao se ter a consciência da
sua Origem brota o reconhecimento da própria LUZ, e como o exterior é o reflexo
do interior (axioma bem conhecido e muito propagado nos meios espirituais), se
reconhece no teu irmão a IGUALDADE da sua Filiação, e, assim, SOMOS TODOS UM.
Eis aqui a genuína igualdade, isto é, a essência do amai-vos uns aos outros.
Só a Consciência é capaz
de reconhecer a Si Mesma. E ela é UNA.
A parábola do filho
pródigo está a lembrar de que o Filho parece ter se esquecido da sua Casa
Original. Voltar para casa não é outra coisa senão acordar deste sonho. Acordar
ou despertar significa que se deu conta (tomou consciência) de que sair de casa
era só uma simples crença na separação da fonte, não mais que uma mera opinião deformada
sobre si mesmo.
Adão é o filho que
aparentemente adormeceu; mas Jesus é o mesmo filho que se lembrou da sua Fonte,
reconheceu a sua Origem, e viu que nunca tinha saído da casa paternal, senão em
sonho.
Na nossa percepção
invertida (visão deturpada pelo falso eu) acreditamos que somos pecadores,
defeituosos, incompletos, inadequados, e isto equivale a NEGAR a Deus, pois Ele
deu um valor ao Filho que ninguém pode negar (quem poderia negar se Deus
afirmou?).
E este valor de SER O QUE
O CRIADOR É não necessita ser conquistado, pois já realizado pelo próprio
Criador, pois no pensar/sentir que é um objetivo a ser alcançado estamos
implicitamente afirmando que a obra de Deus é falha, e que depende de nós (do
presunçoso ego) para ser completada.
É isto possível?
Há lógica em se afirmar
que Deus (realidade) depende do ego (ilusão) para ver sua obra completa?
sábado, 8 de agosto de 2015
COMO SE ENCONTRAR - NISARGADHATA MAHARAJ
Aprofunde na percepção do “Eu Sou” e você
encontrará.
Como se encontra algo que você ignora ou se esqueceu?
Você o mantém
em mente até se lembrar. A percepção de ser, do “Eu sou” é a primeira a
emergir. Pergunte-se de onde ela vem ou apenas observe-a em silêncio. Quando a
mente permanece no “Eu sou”, sem se mover, você entra em um estado que não pode
ser verbalizado mas pode ser experienciado. Tudo o que você precisa fazer é
tentar e tentar novamente.
Eu vejo o que você também poderia ver, aqui
e agora, se não fosse o foco errôneo de sua atenção. Você não dá atenção ao
Ser. Sua mente está sempre com coisas, pessoas e ideias, nunca com seu Eu.
Traga seu Eu para o foco, torne-se consciente de sua própria existência. Veja
como você funciona, observe os motivos e resultados de suas ações. Estude a
prisão que você construiu ao redor de si mesmo, inadvertidamente.
Olhe para a rede [o mundo pessoal de cada
um] e para suas muitas contradições. Você faz e desfaz a cada passo. Quer paz,
amor, felicidade e trabalha arduamente para criar dor, ódio e guerra. Quer
viver muito e se empanturra, quer amizade e explora. Veja sua rede como
composta de tais contradições e remova-as – o seu próprio ver os fará ir
embora.
Como você parte para achar algo? Mantendo
sua mente e coração naquilo. Deve haver interesse e constante lembrança.
Lembrar-se do que precisa ser lembrado é o segredo do sucesso. Você consegue
isso através da seriedade de intenção.
Inicialmente, dê o primeiro passo. Todas as
bênçãos vêm de dentro. Volte-se para dentro. O “Eu sou” você conhece. Fique com
isto todo o tempo que puder, até que você sempre volte a isso espontaneamente.
Não existe caminho mais fácil ou simples.
Somos escravos daquilo que não conhecemos;
do que conhecemos, somos senhores. Quaisquer vícios ou fraquezas em nós que
conhecemos, descobrimos e entendemos suas causas e seus mecanismos, nós os
superamos pelo próprio saber; o inconsciente se dissolve quando trazido à
consciência. A dissolução do inconsciente libera energia; a mente sente-se
adequada e torna-se quieta.
Recuse todos os pensamentos, exceto um: o pensamento
“Eu sou!”. A mente vai se rebelar no começo mas, com paciência e perseverança,
ela vai ceder e permanecer quieta.
Esteja alerta. Questione, observe,
investigue, aprenda tudo o que puder sobre a confusão, como isso opera, o que
faz para você e para os outros. Ao ter clareza sobre a confusão você se liberta
dela.
Eliminando os intervalos de desatenção
durante as horas de vigília, você vai gradualmente eliminar o longo intervalo
de inconsciência que chama de sono. Você estará consciente que está adormecido.
Nisargadatta Maharaj - Eu Sou Aquilo
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